terça-feira, 9 de junho de 2015

ENCONTRO COM UM VELHO AMIGO

Caros amigos, 
estamos repassando um relato de experiência vivenciado por Angela Cantarino, Diretora da Casa Senhora do Carmo, com o objetivo claro de revelar a Vida após a Vida. Gostaríamos que compartilhassem conosco, da alegria de conhecer mais sobre esta realidade.
Com amor,
Casa Senhora do Carmo


Madrugada de 07/06/15.

O RESGATE!

Estava eu, conduzindo um enorme ônibus, por caminhos difíceis e tortuosos, na penumbra. Passava por um casario grande, mas quase que desabitado. As estradas eram de terra batida com muitas curvas; sobe e desce sem parar. O céu era cinzento, às vezes escuro e em outras vezes clareava em um tom azul muito pálido.

Parei frente a uma grande casa plana, e, recolhi um único passageiro: Alézio. Trajava-se de branco com as roupas da Casa Senhora do Carmo, calças com as pernas enroladas até as panturrilhas e pés descalços, tal qual quando incorporado por Ubirajara ao trabalhar na Casa.

Eu tinha um enorme cuidado com ele, não deixava que se machucasse com o sacolejo do ônibus. Dirigia-me a ele, constantemente a ver e a indagar se estava bem. Às vezes, fazia com que descesse do veículo para que eu pudesse atravessar alguns trechos arriscados. Após ter colocado o ônibus em segurança, descia e o reconduzia cuidadosamente ao interior do veículo e, só o colocava em movimento após ter certeza de que Alézio estava sentado e seguro. Estes fatos, movimentos e caminhos duraram bastante tempo até que alcançamos o asfalto.

A partir de então, o céu permaneceu claro e azul. Era dia, havia Sol, mas bem brando tipo final de tarde. A vegetação lateral à estrada era verde e exuberante.
Assim, seguimos sem dificuldades.

Durante este trajeto conversávamos bastante, só que não falávamos com os lábios, pensávamos, comunicávamo-nos telepaticamente. Formulei muitas perguntas às quais foram respondidas e exemplificadas.
Em dado momento, estávamos frente a um enorme portão de madeira o qual era ladeado por muros altíssimos. Parei o ônibus, ajudei Alézio a descer e o conduzi até lá: Era o portão do “Nosso Lar”. 

Este se abriu e um homem alto, aparentando 50 anos de idade, de pele clara e cabelos muito negros, penteados para trás, o que me fez recordar do modo como se penteava o ator Rodolfo Valentino. Trajava-se todo de branco e portava uma capa longa até aos pés, também branca e com debruns - tipo grega - nas mangas e em todo o entorno, tratava-se de Pedro Kerjan.

Muito sorridente abraçou Alézio (que parecia meio atônito, desligado) e o conduziu para dentro, não sem antes, sorrir e acenar para mim.
Retornei feliz e cantarolando, conduzi o veículo de volta à Terra, mais precisamente, no Umbral, bem em frente ao Lar de Paraguaçu de onde recolhi meu companheiro de viagem.

O DIÁLOGO:

- E aí, meu irmão, pronto para viajar?

-Certamente! Estava aguardando a sua carona. Paraguaçu me disse que você viria logo. Então, vamos embora?

-Adorei saber quem era o meu passageiro, fiquei feliz por saber que estava bem. 
Como é que você foi para o Lar de Paraguaçu?

- Ah! É uma longa história minha amiga. Quer ouvi-la? 
Creio que teremos bastante tempo. Foi assim:
Não é novidade para você que quando desencarnamos, mesmo que tenhamos caminhado sob as orientações Evangélicas do Mestre Jesus, também, realizamos descaminhos e erramos, cometemos equívocos e às vezes esquecemos que estamos na Terra só de passagem. Então, de uma forma ou de outra, vamos parar no Umbral. A maneira como lidamos com esta nova situação será diretamente proporcional ao tempo em que lá poderemos permanecer.
 Nos primeiros instantes, que são lentos, muito longos, iniciamos um processo íntimo de desespero e de dor. A consciência começa por nos cobrar e passamos a reviver inúmeras situações desagradáveis que vivenciamos e criamos para nós e para os outros. É muito triste e dolorosa esta experiência. Ninguém está livre de sua própria consciência!
O que aconteceu comigo não foi diferente.
 Muito perambulei e muito me arrependi. Vi pessoas que havia auxiliado a serem afastados de suas vítimas, os obsessores e, estes me viam e atacavam. Também encontrei outro tipo de desafeto, que foram aqueles que se sentiram agredidos ou atacados por mim, voluntária ou involuntariamente. Médiuns insatisfeitos, amigos que acreditavam terem sido abandonados e, muitos outros. Não sei determinar o tempo que passei neste torvelinho doloroso, mas, sei que saí dele. Como? Simples! Descobri que não poderia permanecer deixando-me levar pelo Mea Culpa, me desvalorizando e me denegrindo. Parei! Pensei muito! E, descobri o caminho. Iniciei por analisar as minhas culpas sem me deixar envolver pela auto Piedade. Não alimentei a culpa pela culpa, apenas a analisei e revi muita coisa. Descobri que também, tentei acertar, apenas não tinha sido mais cauteloso e prudente, então, acabei por errar.
Não entrei em desespero e orava muito. Pedi ao Pai que desse a oportunidade de refletir sem que estivesse sob o ataque daqueles que me assediavam. Pedi um tempo para refletir. E, como em um passe de mágica, me vi sozinho e calmo.
Caminhava e caminhava sempre pensando, sempre avaliando os meus erros. Compreendi que necessitava daquele tempo e o valorizei a meu favor.
 Dormia um pouco e, logo consegui afastar de mim o desejo de me alimentar ou de suprir a sede. Lembrei-me de minha condição de espírito e, portanto, sem essas necessidades, apenas a do sono.
Muito calmo e lentamente fui “arrumando a minha cabeça” colocando cada coisa em seu lugar e, então tive um enorme desejo de pedir perdão por tudo e por todos. Mas, principalmente, a me perdoar. Neste processo, fui me reconstruindo. Passei a me olhar como um servo ainda pecador e muito necessitado de novas oportunidades para crescer espiritualmente.
Não sei quanto tempo durou este novo processo. Só sei que em um belo dia, ao despertar, não estava mais naquele lugar. Estava à beira do Rio Macacu, frente ao nosso antigo Ranchinho de Paraguaçu. Trajava-me da mesma forma como estou neste momento e passei a trabalhar com uma Falange de Iluminados Espíritos que se utilizam da força das águas puras para levar saúde física aos encarnados. Desta fase, você soube, não foi?

- É verdade! Lembro-me que no exato momento, durante uma sessão em que entoávamos o Hino de Mamãe Oxum, o nosso Terreiro estava tomado pelas águas do Rio Macacu frente ao Ranchinho e, lá estava você a trabalhar com as águas juntamente com muitos outros Seres Iluminados. Foi lindo! Fiquei tão feliz em revê-lo! Lembra-se que você me viu e acenou para mim?

-É claro que sim. Olhei para frente e vi a Casa Senhora do Carmo e lá estava você a me fitar sorrindo. Sabia que esta foi a primeira vez em que atuei naquela atividade? Foi exatamente no dia em que sai do Umbral.

- Que maravilha! E, aí, o que fez depois?

- Permaneci naquela atividade por muito tempo, creio mesmo, que por anos. Passei a acompanhar esta Falange por vários Centros e, por muitas vezes voltei à Casa. Lembra-se de quantas vezes me viu por lá?

- Certamente. Às vezes o via no Terreiro a acompanhar as atividades, como também na Sala de Cura. Legal! E, como foi para o Lar de Paraguaçu?

- Foi simples! Pedro Kerjan mandou que me avisassem que poderia mudar de atividade e me ofereceu várias delas. Todavia quando ouvi falar do Lar de Paraguaçu, imediatamente solicitei ser encaminhado para lá. Eu não sabia de sua existência, e, curioso, pedi para ser deslocado e prestar serviços lá. Ao chegar, fui recebido pelo Velho Paraguaçu que me abraçou e disse: 'Seja bem vindo, este é o novo Lar que pertence à Casa Senhora do Carmo em ação, como sempre, para o Bem Maior.'
Então perguntei: Como e quem a idealizou? 'Não sabia de sua existência. E, para minha surpresa e, também a sua, minha amiga, ele me disse: -Foi por solicitação da Angela. -O quê? A nossa Angela? -Sim, ela mesma. Ao acompanhar as atividades e também, por participar das atividades do Lar Maria Nazareth, ela nos questionou sobre a possibilidade de se criar um Posto Avançado de Socorro, no Umbral. Como você sabe, a Angela tem trabalhado neste local já há muito tempo. Ela gosta de estar com o Caboclo Tibiriçá nestas áreas de muito sofrimento. Muito já fez em prol do resgate de sofredores, tanto que ela plasmou uma réplica da Casa Senhora do Carmo bem aqui neste local e, para cá traz vários médiuns para trabalhar. Senhora do Carmo ouviu o seu apelo e autorizou a transformação desta estrutura plasmada por ela em nosso cantinho e o denominou de Lar e lhe deu o meu nome para que pudéssemos continuar atuando com o corpo mediúnico da Casa.'

-E aí, minha boa irmã, você sabia disso?

- Jamais imaginei que tivesse qualquer participação nesta criação. É muita bondade de Paraguaçu me atribuir tal feito, certamente foi ele quem a criou e deu-me a sua autoria para que eu pudesse abater um pouco de meus grandes débitos.

- Isto é com vocês. Nada tenho a dizer, a não ser que apenas contei aquilo que me contaram. Rs.

- Cínico! Rs. Mas, me diga, e, agora? Por que saiu de lá? Você sabe para onde será transferido?

- Eu? Cínico? Você é que é sonsa! Rs.
Na verdade vou responder de trás para frente: Não sei para onde você está me levando. 
Pode me contar?

- Eu, não! Se não contaram, porque serei eu a contar? Certamente será uma grande surpresa! Então responda a primeira pergunta.

-Segundo me disse Paraguaçu, estaria na hora de me dirigir a outro local no qual oferecem uma grande variedade de tarefas e, que seriam muito boas para mim. É isto, simples assim.

- Então, já chegamos. Vou entrega-lo nas mãos de nosso Benfeitor, Pai e Eterno Amigo. Veja! Lá está ele!

- Meu Deus! Quem eu vejo? Pedro Kerjan!

E, aí, todos já sabem: Alézio foi recebido e acolhido por Pedro Kerjan. Despedi-me de ambos com dois sentimentos: o primeiro, o do dever cumprido, deixei Alézio exatamente onde deveria ter estado desde o seu desencarne e, o segundo, o privilégio de, mais uma vez, estar às portas do Nosso Lar. Graças a Deus!

ESCLARECIMENTOS:

Alézio Mainnier: Grande amigo, pessoa íntegra, amiga e Dirigente Geral e Espiritual da Casa Senhora do Carmo que me antecedeu nesta tarefa, não sem antes, dar-me todas as oportunidades de aprendizado. Dotado de vários dons mediúnicos, entre os quais a Psicografia, escreveu o Livro “A Casa Paroquial” na década de setenta. Desencarnou em um asilo, já cego, mas, com uma vivacidade e bom humor inconfundíveis. Quando o visitávamos, mesmo antes que disséssemos qualquer palavra, ele nos identificava facilmente. Dizíamos que a sua Terceira Visão estava em plena forma. Ele apenas sorria e respondia: 'precinto os amigos.'

Ubirajara: Entidade luminosa que através da incorporação dirigiu a Casa Senhora do Carmo junto e através da mediunidade de Alézio. Não nos permitiu à época, saber detalhes sobre as suas encanações. Somente hoje, em que registro esta experiência, contou-me que foi Mestre Atlante, um Hierofante e, que veio, para a Terra, oriundo de Sirius e, que para lá retornará a partir de hoje (07/06/15) após ter acompanhado o irmão Alézio até o “Nosso Lar”.

Pedro Kerjan: Espírito iluminado, que reside e atua no Ministério da Encarnação em “Nosso Lar”. De lá e, às vezes, daqui da Terra, dirige a Casa Senhora do Carmo. Ele é o nosso Dirigente máximo, que através de minha mediunidade de Psicofonia, conduz a Casa, tanto material quanto espiritualmente. Certa vez, contou-nos que teve a sua última encarnação na Terra, onde exerceu a Medicina, foi Generalista, Homeopata, Fito terapeuta e Bioquímico, seu nome Pierre foi abrasileirado para Pedro.
Hoje, neste momento, complementou-a: Na maturidade, transferiu-se para o Brasil, onde continuou a exercer as suas especialidades e a trabalhar na equipe que auxiliava o então, muito jovem e promissor Médico, Dr. Bezerra de Menezes, nos atendimentos gratuitos em que realizava junto à população carente. Também foi companheiro do Dr. Dias da Cruz, grandes amigos, estudavam e se dedicavam a pesquisa de medicamentos e condutas Homeopáticas como auxiliar nos atendimentos que realizavam. Desencarnou aos 50 anos de idade. Desde então, reside e trabalha no “Nosso Lar” e orienta e cuida da CSC.

Lar de Paraguaçu: Localizada há uns trezentos metros abaixo da Casa Senhora do Carmo, é dirigida pelo Espírito que a fundou na década de 40, junto a grande Médium Maria do Carmo Cardoso. Construiu este Lar como abrigo e amparo daqueles que circulam pelo Umbral da Terra e que conseguem vislumbrar a Luz da sabedoria e a necessidade de evolução. Trata-se de um Abrigo de luz. Recolhe, orienta, ampara e cuida de milhares de irmãos que buscam o Caminho da Ascensão Espiritual. Na verdade é um grande hospital, com enfermarias e salas de cirurgia. Lá também, se encontra Biblioteca, sala de refeições, Auditório para estudos e, uma grande área externa coberta por grande e variada vegetação. É um verdadeiro “Ninho de Paz” em meio a um turbilhão de dor.

Neste ínterim, vale também citar o:
Lar Maria de Nazareth: Outro correspondente à Casa Senhora do Carmo, localizada, também a uns trezentos metros acima de sua estrutura física. Começou na década de noventa, como um pequeno Albergue de Luz, hoje, com uma área de mais de três quilômetros de extensão é uma pequena cidade na qual estão todos os que são auxiliados nas Sessões Votiva da Casa. Espíritos ainda imperfeitos, que perambulam pela Terra, presos ao passado, às dores, aos sentimentos daninhos à alma que são acolhidos e encaminhados a este Lar bendito.
Dentro de seus muros encontram-se: ambulatórios médicos, assistência psicológica, farmácia, enfermarias, bibliotecas e, muitas outras estruturas em beneficio ao soerguimento de irmãos desencarnados, ainda em sofrimento.

Ranchinho de Paraguaçu: Fundado por dona Maria do Carmo, na década de 50, serviu como ponto de apoio para que duas vezes por mês, fossem realizadas consultas médico-odontológicas gratuitamente, como também, a distribuição de roupas, mantimentos e medicamentos à população que era muito carente naquela região. O imóvel de propriedade de Maria do Carmo foi legado à CSC por ela, muito antes de seu desencarne. Era um belo sítio, localizado às margens do Rio Macau. Nestas margens, Dona Maria do Carmo realizava sessões de cura e de descarrego toda vez que para lá se dirigia. Deixou muita saudade.
                                                                                                 
Angela Cantarino, 
em 08/06/15.